Neurograff Eletromedicina  
   

 

 

 

Vectonistagmografia digital

vectonistagmografia digital faz parte da avaliação otoneurologica do paciente. Ela registra os movimentos oculares horizontais, verticais e oblíquos e basea-se na captação da diferença de potencial elétrico entre a córnea e a retina na medida que os olhos se movimentam.

 

 Objetivos do exame:

 

  • Verificar a existência ou não de comprometimento vestibular e o lado afetado;
  • Topodiagnóstico da lesão (periférico ou central);
  • Tipo de lesão e sua provável causa;
  • Prognóstico da lesão e monitoramento da evolução do paciente com a terapêutica indicada.



Fonte: monografia da Dra KÁTIA SILVA PESSÔA

 

Cuidado: os valores de referencia mudaram conforme preconizações da ABORL CCF.

 

A vectoelectronistagmografia (VENG) é um exame importante na Avaliação Otoneurológica. A vectoelectronistagmografia, utiliza três eletrodos ativos temporal direito, temporal esquerdo e frontal, além do eletrodo neutro também de localização frontal. Esta disposição de eletrodos registra os movimentos oculares horizontais, oblíquos e verticais, facilmente identificados a simples observação do traçado.

Antes da realização do exame o paciente receberá as seguintes instruções: suspender, 3 dias antes do exame, as medicações para o labirinto, bem como os barbitúricos, tranqüilizantes e outros. Na véspera e no dia do exame não tomar: chá, mate e bebida alcóolica; jejum de duas horas antes do exame.

Segundo Mangabeira Albernaz (1985), se o paciente estiver em crise vertiginosa, não convém realizar o exame completo. É preferível, para não agravar o estado do doente, lançar mão apenas das manobras menos estimulantes (pesquisa do equilíbrio estático e dinâmico, pesquisa do nistagmo espontâneo, semi-espontâneo e de posição) deixando para mais tarde as provas calóricas e rotatórias, quando o paciente tiver superado a crise. O emprego de medicação adequada fará com que o mesmo possa ter, brevemente, condições para realizar os testes restantes para definição diagnóstica.


Como já relatamos, a VENG compreende:

 

I- Anamnese

 

II- Nistagmo de posição:

 

Aparece quando a cabeça do paciente assume determinadas posições no espaço. Entretanto em sua pesquisa, deve-se ter em mente que três causas diferentes podem produzir um nistagmo nas condições de pesquisa: fator cinético (movimentação brusca da cabeça); fator cervical (nistagmo de origem cervical) e o verdadeiro nistagmo de posição (vestibular). Por isso existem muitas técnicas de exame e também uma grande controvérsia a seu respeito.

Segundo alguns autores a pesquisa deve ser realizada com olhos nus, e pesquisada com lunetas, segundo outros, com o paciente sentado, deitado em decúbito dorsal com a cabeça em posição normal, com a mesma pendente (posição de Rose), em decúbito lateral esquerdo e direito. Alguns autores acreditam que essas manobras devam ser bruscas, enquanto outros crêem que as mesmas devam ser executadas lentamente, a fim de se eliminar o fator cinético.

Outros, admitem que, durante os testes, o pescoço não deve ser flexionado, para evitar um possível nistagmo de origem cervical. Uma outra técnica bastante utilizada é fazer com que o paciente, que está sentado, deite-se rapidamente, assumindo a posição de cabeça pendente, mas com uma torção aproximadamente de 45º para a direita e repetir o mesmo para a esquerda, sempre com os olhos abertos. Entretanto, existem autores que criticam essa técnica, por causa dos fatores cinéticos e cervicais.

Considerando as controvérsias sobre a pesquisa do nistagmo de posição, muitos autores optaram por pesquisá-los a olho nu nas posições clássicas (sentado, decúbito dorsal lateral direito e esquerdo e decúbito dorsal com a cabeça em posição normal) e na posição sentada.(realizado desta maneira na nossa experiência clínica). Deve-se ter prudência ao avaliar sua presença, considerando a incidência dos fatores cinéticos e cervicais. 

Indivíduos normais não apresentam vertigem e/ou nistagmo de posição com olhos abertos. A presença de vertigem e/ou nistagmo é muito freqüente em pacientes com vestibulopatias, confirmando a natureza vestibular, sem localizar a lesão em nível periférico ou central.

 

III- Colocação dos eletrodos


A pele deverá ser limpa e desengordurada com álcool ou éter antes da colocação dos eletrodos. Os eletrodos devem ser untados com pasta eletrolítica e adequadamente fixados a pele (em anexo).

 


IV- Calibração do movimentos oculares


A apropriada calibração dos movimentos oculares é essencial para a obtenção da necessária igualdade de condições na feitura dos exames vestibulares, para a adequada interpretação dos seu parâmetros. O paciente deverá olhar alternadamente os dois extremos de uma cruz a sua frente, sem mover a cabeça.

O registro da calibração resulta em uma onda “quadrada”. A altura de cada quadrado deve ter 10mm. As deflexões da pena inscritora são ajustadas de forma que 10º de desvio ocular correspondam a 10mm de altura no traçado (o paciente fará movimentos verticais).
Durante a calibração, a amplitude do registro nos canais 2 e 3 deve ser a metade da amplitude do registro do canal 1 para o registro dos movimentos horizontais.

Pode-se detectar alterações importantes da movimentação ocular como dismetrias e disritmias, sugestivas de comprometimento da fossa posterior e, mais particularmente, do cerebelo.

 

V- Nistagmo espontâneo

 

Considerando que o nistagmo é o espelho da função vestibular, a pesquisa do nistagmo espontâneo é, sem dúvida, um dos pontos mais importantes da semiologia do equilíbrio. Pode surgir, sem qualquer estímulo vestibular, no olhar para frente com o paciente sentado, sem mudança de posição da cabeça ou tronco e sem qualquer estimulação vestibular.

É pesquisado com olhos abertos e fechados. Sua direção, ritmo, amplitude, forma e velocidade da componente lenta devem ser avaliados. Sua origem poderá ser vestibular ou ocular. É importante observar o nistagmo, tanto no registro do exame, como também na visualização do olho do paciente.

O nistagmo espontâneo raramente ocorre em indivíduos normais. É visível com olhos abertos nas crises vertiginosas de origem periférica, aumenta de intensidade com olhos fechados, apresentando, geralmente, direção horizontal, horizonto - rotatória ou rotatória. Se o paciente não estiver em crise vertiginosa e apresentar nistagmo espontâneo com olhos abertos, este é um sinal indicativo de lesão central, excluída a possibilidade de ser nistagmo congênito, presente desde a infância.

Nas síndromes centrais, a direção do nistagmo espontâneo, com olhos abertos,pode sugerir a localização da lesão:

1- rotatório – bulbar;
2- vertical – lesão alta de tronco;
3- vertical superior – pedúnculo, mas pode aparecer com certas drogas com o álcool.
5- horizontal – sugere lesão na protuberância;
6- múltiplo – lesão difusa de tronco.

 

VI- Nistagmo Semi – espontâneo

 

Pode surgir em uma ou mais das quatros posições cardinais do olhar, com um desvio não superior a 30º (no desvio excessivo a sua presença é fisiológica) em qualquer das direções. Também denominado direcional, pode ter origem vestibular ou ocular. Indivíduos normais não apresentam nistagmo semi-espontâneo. Nas vestibulopatias periféricas pode ocorrer numa única direção cardinal, somente na crise vertiginosa ou logo após a mesma. Quando ocorre em mais de uma das posições cardinais é sempre de origem central.

Quando o nistagmo é horizontal ebidirecional, sugere lesão pontina. Quando múltiplo (mais de duas direções) indica lesão mesencefálica, lesão dos núcleos vestibulares no soalho do IV ventrículo ou lesão do tronco cerebral.

 

VII– Rastreio Pendular:

 

É um teste extremamente simples, com duração de 20 segundos, mas que nos dá somente uma avaliação qualitativa. Pede-se ao paciente que olhe um pêndulo, de modo que o movimento ocular total não ultrapasse 30º. Obtem-se assim uma curva sinusoidal (anexo II), que é classificada em quatro tipos:

Tipo I : onda sinusoidal

Tipo II: onda sinusoidal com poucos movimentos sacádicos

Tipo III: onda sinusoidal com muitos e consistente movimentos sacádicos e superpostos

Tipo IV: sem onda sinusoidal e anárquico.

Os tipos I e II são encontrados nos indivíduos normais ou com patologia vestibular periférica, os tipos III e IV nos pacientes com distúrbios centrais. A presença de nistagmo espontâneo ou uma patologia ocular pode prejudicar totalmente a prova.

 

VIII- Nistagmo Optocinético

 

É um nistagmo fisiológico, involuntário, conhecido como nistagmo ferroviário, pois foi observado que pessoas, ao viajarem de trem, apresentavam um movimento ocular que acompanhava a passagem dos postes de eletricidade. Essas pessoas seguiam com os olhos o desfilar de um poste (fase lenta) e automaticamente dirigiam o olhar para o lado oposto (fase rápida), aguardando a passagem de um novo poste.

Na clínica é utilizado o tambor de Barany (anexo III), que é um cilíndro dotado de faixas pretas e brancas e largura predeterminada. Esse tambor gira em três velocidades, 40, 60 e 80º/seg. no sentido horário e anti-horário e é colocado a aproximadamente 80 centímetros do paciente. O tambor gira no plano horizontal (nistagmo horizontal) e vertical (nistagmo vertical). A direção da fase lenta será sempre a da rotação. Assim, num movimento horário o nistagmo será sempre para a direita e no anti-horário para a esquerda.

É importante considerar a simetria ou assimetria das respostas em termos de velocidade angular da fase lenta. Para alguns autores falta credibilidade na realização do tambor no plano vertical (nistagmo optocinético vertical), devido ao movimento palpebral que sempre acompanha o nistagmo vertical. Também não fazemos na nossa clínica.

 

IX- Provas rotatórias pendular decrescente

 

Foi o primeiro teste utilizado para se avaliar a função vestibular. Descoberto no fim do século passado, passou vários anos no esquecimento, até o final da década de 60, quando diversos centros de pesquisa franceses começaram a divulgá-lo. Mas somente em meados de 1970 foi que esta prova entrou para rotina da avaliação otoneurológica, sendo atualmente considerada um prova imprescindível.

A prova rotatória pendular decrescente (PRPD) consiste num movimento rotatório pendular decrescente fornecido por uma cadeira na qual o paciente permanece sentado. Toda a prova é registrada. O olhos devem estar fechados, ou abertos na obscuridade, cálculos aritméticos ou perguntas simples deverão ser realizados durante a prova, já que poderá sofrer inibição cortical, alterando o resultado do exame. A obscuridade é obrigatória para evitar a influência de estimulações optocinéticas durante a rotação.

Na PRPD avaliamos todos os canais semicirculares (CSC):

- Os CSC laterais são avaliados com a cabeça do paciente fixada a 30º para frente, produzindo nistagmo predominantemente horizontal;

- Os CSC verticais (posterior e superior) são avaliados com a cabeça do paciente fixada 60º para trás e 45º para esquerda ou direita (RIGAUDI, 1935). 

Estimulamos o CSC superior de um lado e o posterior do lado oposto (superior esquerdo e posterior direito o superior direito e posterior esquerdo), produzindo nistagmo de direção oblíqua.

Cabeça fletida 30º para frente

Anti-horário – nistagmo horizontal para direita (maior estimulação do CSC lateral direito).
Horário – nistagmo horizontal para esquerda (maior estimulação do CSC lateral esquerdo).

Cabeça 60º para trás e 45º para direita

Anti-horário – nistagmo oblíquo para esquerda e para cima (CSC posterior esquerdo).
Horário – nistagmo oblíquo para direita e para baixo (CSC superior direito).

Cabeça 60º para trás e 45º para esquerda

Anti-horário – nistagmo oblíquo para esquerda e para baixo (CSC superior esquerdo).
Horário – nistagmo oblíquo para direita e para cima (CSC posterior direito).

 

A presença de nistagmo espontâneo e/ou nistagmo semi-espontâneo poderá ou não influenciar o resultado da prova, ocorrendo então simetria, assimetria, preponderância direcional nistágmica (PDN) na direção oposta a estes nistagmos e até arreflexia. O dado de maior importância na PRPD é a simetria ou assimetria da resposta nistágmica no sentido horário e anti-horário da cadeira em termos quantitativos. Esta análise deverá ser feita quanto a freqüência nistágmica em três a quatro períodos no sentido horário e anti-horário da cadeira. A simetria ou assimetria deverá ser analisada em todo o conjunto da prova.

Poderá também ser realizado o cálculo da velocidade angular da componente lenta (VACL) em sentido horário e anti-horário. A PRPD estimula simultaneamente os dois labirintos, devendo sempre ser analisada em conjunto com a prova calórica, que permite analisar separadamente cada labirinto.

 

X- Prova calórica

 

É a prova mais importante da avaliação da função labiríntica, de utilização obrigatória, pois permite estimular separadamente cada canal semicircular lateral. Assim poderemos analisar a função de cada labirinto. O estímulo deverá ser feito com água a 30º e a 44º (FITZGERALD & HALLPIKE), dando-se um intervalo de cinco minutos entre cada irrigação. Caso não haja uma resposta adequada, podemos realizar a prova a 18ºc ou mesmo a 0ºc. A prova poderá ser realizada com uso de ar, nas temperaturas indicadas pelo fabricante do aparelho. O uso de ar tem a vantagem de provocar menos desconforto e pode ser usado em pacientes com perfuração da membrana timpânica.

O mecanismo de ação do labirinto a estimulação é complexo, mas admitese que a teoria hidrodinâmica desenvolvida por Barany, seu autor, ainda é correta. Segundo ele, a irrigação quente ou fria do conduto auditivo externo irá produzir um aquecimento ou resfriamento da parede do canal semicircular lateral que, na posição vertical (paciente deitado em decúbito dorsal com a cabeça fletida para frente de 25 a 30º), determinará um movimento dos líquidos labirínticos e com isso um desvio da cúpula e portanto nistagmos, desvios segmentares e tonturas.

Considerando que cada canal semicircular constitui um sistema de dutos fechados, o aquecimento dos líquidos endolabirínticos vai produzir uma dilatação dos mesmos e consequentemente torná-los mais leves, e assim eles tendem a subir, tornando então uma corrente ampulífuga no caso do canal horizontal. A mesma hipótese é válida para o resfriamento, só que aqui se forma uma corrente descendente e portanto ampulípeda, sendo esta razão pela qual o estímulo frio produz uma resposta mais intensa. Como se pode notar, esta hipótese é baseada no mecanismo de peso e portanto ligado à gravidade.

Entretanto, pesquisas recentes mostraram que o fenômeno se reproduz no espaço, donde se pode imaginar que talvez outro mecanismo, ainda desconhecido, talvez vasodilatação e vasoconstrição, seria responsável pelas correntes labirínticas. Existem várias técnicas para realização da prova calórica, mas todas seguem alguns princípios básicos: ambiente silencioso e tranqüilo, com o paciente calmo e relaxado; é necessário pedir para que o mesmo realize cálculos mentais, devido a inibição cortical. O paciente deve permanecer deitado em decúbito dorsal, com a cabeça fletida de 25º a 30º para a frente, ou sentado confortavelmente, com a cabeça fletida para trás de 60º, no sentido de manter o canal horizontal na posição vertical.

Durante todo o teste a cabeça do paciente deve permanecer imóvel na linha média, pois podem aparecer alterações se o mesmo rodar um pouco para esquerda ou para a direita.


FITZGERALD & HALLPIKE

É a técnica mais conhecida e utilizada também em nosso serviço. Consiste em irrigar os ouvidos direito e esquerdo com água a 30ºC e 44ºC e com tempo de irrigação de 40 segundo, na seguinte ordem:

1- OD 44ºC > nistagmo para direita;
2- OE 44ºC > nistagmo para esquerda;
3- OE 30ºC > nistagmo para direita;
4- OD 30ºC > nistagmo para esquerda.


Como as provas frias produzem estímulos ampulípedos o nistagmo baterá para o lado oposto, enquanto que nas quentes, ampulífugos para o mesmo lado (anexo). Alguns pacientes podem apresentar tonturas, acompanhados de náuseas e vômitos.

 

HALLPIKE MODIFICADO


Foi desenvolvida esta técnica alternativa na Europa no intuito de amenizar a tonteira e os sintomas neurovegetativos. Consiste numa pequena variação da técnica de Hallpike: usam-se 50ml de água, com um tempo de irrigação de 10 segundos, às mesmas temperaturas clássicas. As respostas nistágmicas são suficientemente elaboradas para análise, as tonturas se reduzem de 60% e os
neurovegetativos são extremamente raros. A proporção de vômitos é de 1 paciente em cada 1.000, aproximadamente (relato dos adeptos desta técnica ).

 

PROVA COM AR


Usada há alguns anos e também utilizada no nosso setor, tem a vantagem da simplicidade do exame, mas exige equipamentos especiais desnecessários para aquela feita com água. Foi desenvolvida especialmente para aqueles indivíduos que apresentem patologia de orelha externa e média. Para casos de perfuração timpânica unilateral ou bilaterais de tamanho diferentes, deve-se ter em mente que os estímulos não serão exatamente iguais e portanto as respostas estarão alteradas, sem refletir com exatidão a função vestibular.

Outra vantagem na utilização desta técnica: as tonturas e se reduzem e os neurovegetativos (náuseas, sudorese e vômitos) são extremamente raros. A avaliação quantitativa das respostas vestibulares pode ser feita pelo tempo de duração da resposta nistágmica, freqüência, amplitude e velocidade angular da componente lenta. Estudos demonstraram que o parâmetro mais fiel para esta prova é o estudo da componente lenta e os valores assim obtidos são então avaliados pela fórmula de Jongkees:

1- OD 44º
2- OE 44º
3- OE 30º
4- OD 30º

Hiporreflexia ou predominância labiríntica (PL) = ((1+4) – (2+3) x 100)/(1+2+3+4)

Predominância direcional do nistagmo (PD) = ((1+3) – (2+4) x100)/(1+2+3+4)


Os valores de normalidade variam segundo os diverso autores: 16% até 25% para a predominância labiríntica e de 18% a 30% para a preponderância direcional do nistagmo. Como as medidas são comparativas de um lado com o outro, nos casos de hiporreflexia bilateral, a fórmula de Jongkees será normal; nesses casos os autores consideram a medida da componente lenta de até 6º/Seg em todas as provas como um dado significativo, o mesmo ocorrendo numa hiperreflexia bilateral, quando então as respostas acima de 50º/Seg são consideradas limites.

Nos casos em que não se obtiverem respostas frias ou quentes, deve-se repetir o estímulo a 18ºC e em casos extremos a 4ºC, a fim de se poder avaliar corretamente a refletividade vestibular. Além das alterações quantitativas (hiperreflexia, hiporreflexia, arreflexia e
preponderância direcional, em anexo), que surgem freqüentemente tanto em vestibulopatias periféricas como centrais, podem ocorrer diversos sinais patognomônicos de lesão central, como por exemplo: ausência do efeito inibidor da fixação ocular (respostas com olhos abertos mais intensas do que com olhos fechados: lesão cerebelar), inversão (respostas nas direções opostas às esperadas: lesão destrutiva parcial dos núcleos vestibulares e soalho do IV ventrículo).

É preciso ter certeza de que se trata realmente de um nistagmo invertido ou de um nistagmo latente (pode ocorrer na direção oposta à esperada em apenas uma das estimulações, sem valor patológico). O nistagmo invertido ocorre na direção oposta à esperada, sendo induzido pela estimulação calórica e ocorrendo em todas elas. Para podermos avaliar estes nistagmos que ocorrem na direção oposta à esperada, realizamos a manobra IV de Brünings: durante a resposta nistágmica, fletimos a cabeça do paciente 120º para frente colocando a ampola do canal semicircular lateral voltada para baixo. Não havendo mudança de direção da ampola do canal semicircular lateral, fica indicado ser um fenômeno indiferente à estimulação térmica. A mudança de direção do nistagmo com a inversão da posição da ampola do canal semicircular lateral ocorre se o nistagmo for realmente invertido, isto é, depende da estimulação térmica.

Perversão (respostas verticais ao invés de horizontais, horinzonto-rotatória, rotatória ou oblíqua), hiperreflexia + disritmia: indica lesão cerebelar, desde que haja mais um dado de localização central na avaliação otoneurológica, abolição total ou parcial da componente rápida (lesão da formação reticular do tronco cerebral alto) e dissociação (comportamento diferente dos dois lados, lesão do fascículo
longitudinal medial).

O decrutamento é um sinal sugestivo mas não patognomônico de lesão vestibular central e aparece à comparação de intensidade das respostas, às provas rotatória pendular decrescente e calórica. Em indivíduos normais e nas vestibulopatias periféricas, as respostas giratórias são costumeiramente mais intensas do que as das estimulações térmicas. Nas síndromes centrais, podemos encontrar o inverso. Quando há ausência de nistagmo per-rotatório e presença de nistagmo pós-calórico, fica caracterizado o decrutamento.

Ao realizar o estímulo, grava-se o aparecimento do nistagmo e depois pede-se para o paciente olhar fixo para um ponto e o nistagmo irá diminuir até a sua completa ausência: esse fenômeno é chamado de EIFO (efeito inibidor da fixação ocular). A ausência de EIFO, ocorre quando a velocidade da componente lenta com olhos abertos é igual ou maior do que com os olhos fechados. Ocorre nas lesões de tronco cerebral e/ou cerebelo. Devemos observar que a cegueira parcial, estrabismo, nistagmo congênito, lesão da musculatura ocular e o uso de drogas, como dimenidrato e pentabarbitrol, podem alterar o EIFO.

 

- Configuração semiológica


Constitui, o resultado do final dos testes acima realizados. É preciso que se tenha em mente as seguintes indagações:

1- O paciente apresenta alguma patologia?
2- Se positivo, é um problema periférico, central ou misto?

Para afirmar se um paciente apresenta realmente um distúrbio orgânico, deve-se avaliar cuidadosamente a história clínica e relacioná-la com possíveis alterações encontradas no exame. Como os critérios de normalidade, nas diversas provas, são determinadas por estudos estatísticos, pode-se perfeitamente encontrar alterações isoladas sem que se confirme uma doença real. Assim, alterações isoladas no optocinético, ou uma hiporreflexia à prova rotatória ou ainda uma preponderância direcional na prova calórica podem estar presentes na avaliação otoneurológica de um indivíduo normal. 

A anamnese, a presença de lesões em nervos cranianos, a análise do equilíbrio estático, dos sinais cerebelares, do nistagmo espontâneo e de posição, das alterações às provas rotatórias e calórica fornecem dados que permitem confirmar se existe uma patologia periférica ou central. Não há achados patognomônicos de lesão funcional vestibular periférica. O diagnóstico de vestibulopatia periférica é feito por exclusão: os achados não se enquadram no padrão normal e não ocorrem sinais de envolvimento central. 0 primeiro passo a ser dado é definir se o paciente apresenta uma síndrome deficitária ou irritativa.


Síndrome deficitária unilateral – caracteriza-se por um nistagmo espontâneo batendo para o lado oposto ao da lesão, e/ou uma hiporreflexia unilateral do lado da lesão à prova pendular, e/ou uma predominância labiríntica ou ainda um preponderância direcional oposta ao lado lesado à prova calórica.

Esse quadro aparece mais freqüentemente nas patologias periféricas, mas também pode se apresentar em algumas centrais. Síndrome deficitária bilateral – os dados são fornecidos somente pelas provas rotatórias e calóricas ( respostas bilaterais e, em ambas, as temperaturas inferiores a 4º/eg ou 6º/seg, segundo os autores). Esse tipo de alteração está presente nas periféricas, mas pode se apresentar também nas centrais, como nas ototoxicoses.


Síndrome irritativa unilateral – apresenta-se sempre com respostas para o lado lesado: nistagmo espontâneo e/ou preponderância direcional à prova pendular, hiperreflexia (resposta acima de 50º/seg) e/ou preponderância direcional à prova calórica. Esse tipo de alteração aparece mais freqüentemente nas lesões centrais, mas pode aparecer em alguma periférica como a doença de Ménière.
Sindrome irritativa bilateral – deve-se encontrar hiperreflexia bilateral à prova rotatória e/ou à calórica. Neste caso pensa-se sempre em patologias centrais, como por exemplo, a esclerose múltipla.

 

Parâmetros para diagnóstico de síndrome vestibular periférica irritativa e deficitária:


IRRITATIVA 

  • hiperreflexia (valores absolutos)
  • Normorreflexia 
  • PDN 
  • Nistagmo de posição e/ou tonteiras
  • Nistagmo espontâneo OF>7º/seg
  • História do paciente

DEFICITÁRIA

  •  Arreflexia ou hiperreflexia
  • PL
  • Recrutamento
  • Resposta nistágmica a 18º  menor que 10º/Seg

 

Parâmetros de tempo para realização do exame

 

  • Nistagmo de posição 10”em cada posição pesquisada. Sem registro
  • Calibração – horizontal – 10” vertical 10”
  • Nistagmo espontâneo AO – 10” OF 10”
  • Nistagmo semi-espontâneo esq. 10” direita 10” sup. 10”e inf. 10”
  • Rastreio pendular 20”
  • Nova calibração
  • Nistagmo optocinético AH – 10” H – 10”
  • Nova calibração47
  • PRPD – calcular a PDN
  • Nova calibração
  • Registro pré-calórico (sem estimulação)

 

 

 

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